sábado, 15 de fevereiro de 2014

Só.

O mundo então rodou, e ela apoiou-se na parede do quarto.
Apoio-se no intuito ingênuo de sonhar que poderia não desabar.
Tudo já estava em ruínas, não havia como deter a força da realidade.
Respirou tentando encontrar não apenas o ar, mas também a gravidade.
Parecia que o vazio que havia se instalado em sua alma, a tornava um nada,
um vácuo, sem gravidade para mantê-la em terra firme.
Fez uma oração desesperada. Respirou fundo novamente, mas já sabia que 
não havia o que fazer, nem como parar o que estava por vir.
Sentiu as lufadas de dor no estômago, a cabeça começou a rodar : náuseas.
A tão intima ânsia de vômito chegou.
Olhou-se no espelho, olhos negros, cheios de brilho, formando as enchentes.
Chorou. Primeiro sentindo a amargura do choro,
depois soluçando, depois desesperou-se.
Gritou por dentro, sentiu a dor, sentiu o coração esmagar.
Sentiu um veneno correr por suas veias, dilacerando seu corpo.
Tornou-se o seu interior uma densa nuvem.
Havia somente pedaços. Criou-se escuridão. As cores perderam-se.
E  lembrou-se:
"O amor é a força mais poderosa do mundo, ela pode de dar tudo e pode tirar tudo o que você tem!"


Nenhum comentário: