Tornou-se uma boneca de porcelana.
Sua aparência era frágil, meiga e pálida.
Havia um ar de sofrimento em volta dela, acompanhando o seu dia.
Seus olhos que antes semrpe foram tristes, agora pareciam mortos.
Falava pouco. Frases curtas. Sussurrava a dor.
Segurava o lado direito do peito como se podesse segurar seu próprio coração.
Não entendia o que os outros falavam, estava dispersa.
Pensando bem, não era questão de entendimento, ela não ligava.
Não conseguia escutar além de sua própria tristeza.
Amava o mar, ele sempre a acalmara.
Porém, ao reencontrá-lo chorou.
E teve a certeza de que nada a despertaria, nem seu amigo mais intimo: o mar.
Nada despertaria alegria, satisfação, nem traria conforto ao seu coração.
Em sua vida só havia espaço para a dor, que consumiu tudo.
Seu coração palpitava, olhou para o nada e viu o azul.
Não sentiu. Apenas fitou o vazio e tentou dispersar os pensamentos.
Desviu-se do sofrimento e deliciou-se com o vazio.
O vazio era só o que havia nela, era seu amigo, melhor que a tristeza.
Sentiu uma brisa e fechou os olhos.
Tudo em volta dela era um rascunho.
Ela não pertencia àquela vida, nem àquela dor.
Não sonhava mais, não vivia mais, só esperava.
Esperava a hora passar, a dor ir embora.
Esperava um milagre, coragem, uma viagem, uma vida colorida.
E só havia vazio e demora.
Sabia que nunca se perdoaria por fazer a escolha mais conveniente.
Não fora ela quem escolhera aquilo.
Ela era uma boneca de porcelana.
Sua aparência era frágil, meiga e pálida.

Nenhum comentário:
Postar um comentário